O governo anunciou que pretende fazer novamente uma mudança, de forma a voltar para o modelo anterior de tomadas, ou seja, a de dois pinos.

No ano de 2011, uma mudança gerou bastante polêmica no Brasil. Na ocasião, o padrão das tomadas brasileiras foi alterado, saindo a tradicional que possuía os dois pinos e entrando a tomada dos três pinos. As opiniões eram diversas, já que o novo modelo adotado então era uma exclusividade no país, enquanto que na maioria das demais nações era usada a antiga.

As maiores críticas feitas pelas pessoas na época eram relacionadas, por exemplo, à necessidade de adquirir os novos adaptadores ou, ainda, de trocar as tomadas existentes nas casas.

Hoje, com a maioria das casas adaptadas para esse modelo de tomada, o governo anunciou que pretende fazer novamente uma mudança, de forma a voltar para o modelo anterior. E, como não podia deixar de ser, a notícia não foi vista com bons olhos por uma maioria, gerando críticas da população. Isso porque, em menos de 10 anos, as trocas acabam gerando altos custos para as moradias brasileiras.

Desde a aprovação e obrigatoriedade do formato dos três pinos, todos os eletrônicos começaram a ser comercializados no país com o modelo e as novas construções também aderiram ao padrão.

Modelo de três pinos mais seguro

Logo que foi instaurada há nove anos atrás, a explicação para a troca foi relacionada à segurança do modelo de três pinos em relação ao seu antecessor, obrigando a utilização do que chamamos de “terra” nas tomadas. Com isso, aparentemente se diminuía a incidência de possíveis choques elétricos e, ainda, os aparelhos eletrônicos estariam mais protegidos. Porém, é difícil dizer se realmente a tomada de três pinos teve um resultado positivo em termos de segurança.

Conforme dados no Ministério da Saúde, anualmente são contabilizadas cerca de 1,3 mil mortes ocasionadas por choque elétrico. Assim, desde a chegada do novo padrão, os atendimentos para vítimas em exposição a correntes elétricas teve um salto significativo, já que esse era de 857 em 2011. Vale ressaltar, todavia, que não há dados nessa pesquisa sobre quantos dos atendimentos se referem a problemas com tomadas.

Inexistência de modelo mundial

Mais seguro ou não, o padrão foi aprovado na época, já que não existe um modelo em nível mundial para as tomadas, apenas especificações do que elas devem conter. Sendo assim, cada país possui a sua total autonomia para decidir e escolher o melhor desenho para utilizar em seu território. O resultado disso é que, hoje, são mais de 100 modelos diferentes espalhados por todo o mundo.

Vale lembrar que, apesar de compartilhada para o grande público, a mudança ainda não foi aprovada. Essa deverá passar primeiramente pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e de Qualidade Industrial, conhecido como Conmetro.

Vale a pena mudar?

Todo mundo sabe que, quando são trazidas mudanças grandiosas em nível nacional, essas também trazem alguns transtornos para a população. Uma delas é que a alteração provavelmente acarretará em um custo inesperado para o brasileiro. Prova disso é que até o ano de 2018, a substituição das tomadas de dois pinos para a de três pinos já havia trazido custos aproximados em R$ 1,4 bilhão. O número foi divulgado pela Revista Época. Porém, há alternativas que podem trazer uma nova norma e, ainda assim, não exijam os altos custos envolvidos.

Uma opção seria a de tornar mais flexível a regulamentação em vigência, permitindo assim as tomadas utilizadas em outros países. Com isso, o consumidor poderá escolher aquele modelo que mais atende às suas necessidades. É claro que tudo isso precisa de aprovação e de análises minuciosas, e não é feito de uma hora para a outra, uma vez que mexem com questões importantes. Sendo assim, resta aguardar para ver os próximos passos que o governo dará nesse assunto.

Por Kellen Kunz

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