Coaching pode virar crime no Brasil



Proposta visa que a prática de coaching seja considerada crime no Brasil.

William Menezes, um cidadão sergipano, é o autor de uma proposta regida sob o nº 26, do ano de 2019, que propõe que a prática de coaching seja levada como crime. A sugestão deverá ainda ser discutida pelos senadores, já que a ideia veio por meio de uma plataforma para participação legislativa, a e-Cidadania. Publicada no dia 15 de abril, a ideia legislativa já alcançou um número suficiente de simpatizantes que assinaram a proposta, fazendo com que a mesma tramite em uma Comissão do Senado. Em descrição feita por Menezes, uma vez tornada lei, a prática de coaching será criminalizada, não permitindo que “charlatões”, nas palavras dele, se autointitulem como formados sem um diploma que seja válido.

A proposta para ele ainda busca proibir que sejam feitas propagandas enganosas em relação a alguns assuntos importantes, desrespeitando os métodos de profissionais de diversas áreas que constantemente se especializam em assuntos de destaque.



Proposta tem apoio

A proposta recebeu em apenas oito dias mais de 20 mil assinaturas, um número necessário para que fosse levado em conta como uma sugestão e para encaminhamento para Comissão de Direitos Humanos e de Legislação Participativa, a CDH. Em nota, a secretaria de apoio à comissão ressaltou que o coaching já é uma prática comum entre muitos profissionais, como advogados, professores, entre outros. Porém, como em qualquer prática, há pessoas bem e mal intencionadas, podendo inclusive não ter a aptidão necessária para a atuação em uma área. Assim, é feito o mau uso do coaching, já que todos pagam por alguns. Por isso, a importância do debate e da regulamentação ou não da prática profissional pelo parlamento, necessitando essa ser feita de forma democrática e séria e levando em conta os maus e bons usos da atuação.

Vale lembrar que o presidente da comissão é o senador do Partido dos Trabalhadores (PT), do Estado do Rio Grande do Sul, Paulo Paim. O relator nomeado para o assunto foi o senador do Podemos (PODE), do Ceará. Porém, o mesmo devolveu a matéria, de forma a ser designado um outro relator.

Coaching: uma ferramenta de desenvolvimento

O coaching vem da palavra em inglês “coach”, que se refere a um mentor, tutor ou professor. Dessa deriva a palavra que é o ato de aconselhar e guiar alguém para o seu destino. Conforme a universidade Oxford Brookes, na Inglaterra, o coaching é muito importante, sendo uma ferramenta para o desenvolvimento tanto profissional como pessoal do ser humano.



Para os institutos que são responsáveis pela formação de ‘coaches’, o texto da sugestão legislativa mostra um profundo desconhecimento sobre ao que se refere a técnica, já que o mesmo em discussão no Senado faz uma relação de coaching e de processos terapêuticos. Conforme Sullivan França, da Sociedade Latino Americana na área, a SLAC, o coaching adota uma metodologia que constrói um planejamento estratégico em que o indivíduo alcança os seus objetivos. Porém, apesar da defesa, ele reconhece que alguns profissionais estejam atuando indevidamente no mercado. É o caso, por exemplo, de estelionatários, pessoas que atuem em reprogramação de DNA e em cura quântica. Além disso, França ainda denuncia que há pessoas que utilizam um discurso religioso para a prática, prometendo por meio de intervenções divinas, a conquista dos objetivos almejados.

Discussão necessária

Por esse motivo, a discussão que é levantada sobre o assunto de coaching é vista por muitos especialistas como necessária, de forma que a área ganhe a atenção devida. Porém, Sullivan França ressalta que, ainda assim, a criminalização não é o caminho, já que acaba por inibir os profissionais sérios e que fazem um bom trabalho em suas empresas.

Segundo uma nota divulgada pelo Instituto Brasileiro de Coaching, o IBC, o órgão segue um código de conduta profissional e de ética muito sério, formando pessoas orientadas para o respeito à atividade de alguns campos como a nutrição, psicologia e de áreas de saúde mental, emocional e física. Para a advogada do instituto, Hayff Machado, a regulamentação de coaching segue sendo a melhor opção em meio ao cenário atual. Isso porque, hoje, 9% de toda a população apresentam um distúrbio comportamental, sendo mais de 13 milhões de desempregados. Com isso, esse número de pessoas procura o coaching não somente para o seu autoconhecimento, mas também para que tenha uma profissão. Por isso, para ela, seria um absurdo tratarmos o assunto como uma criminalização. E em meio a opiniões tão diversas, resta aguardar sobre os próximos passos no assunto. O que se sabe é que o número de coachings no mundo todo não para de crescer, sendo responsável pela movimentação de uma grande parcela econômica em nível mundial. Prova disso é que, nos Estados Unidos, o setor gera mais de US$ 2,3 bilhões por ano.

Por Kellen Kunz

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