Rachel de Queiroz – Quem Foi, Qual Sua Importância, Principais Obras

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Conheça aqui um pouco mais sobre a vida e obra de Rachel de Queiroz.

Dos confins da cidade de Fortaleza, em meio à aridez daquela terra e da gente sofrida do nordeste, sob o julgo implacável do coronelismo, nascia uma verdadeira flor literária que iria adornar tanto o Estado do Ceará quanto a história da literatura no Brasil com os seus belos romances, poesias e peças. Nascida no ano de 1910, a grande escritora Rachel de Queiroz tornou-se não apenas uma das maiores escritoras brasileiras, como também foi a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras, aquela instituição fundada por ninguém menos que Machado de Assis e seu grupo de grandes escritores do século XIX.

Não poderia ser diferente, a história dessa grande mulher brasileira cuja descendência materna pertence à linhagem de José de Alencar, que é um dos patronos da Literatura Brasileira. Aos cinco anos, em 1915, a família de Rachel se desloca para o Estado do Rio de Janeiro devido às condições péssimas de vida no Ceará, junto da enorme seca. Entretanto, por mais breve que fosse a sua passagem pelo Rio, é certo que o ambiente extremamente cultural daquela cidade tenha despertado na pequena a sua vocação artística.

Aos quinze anos a então adolescente Rachel de Queiroz concluiu o ginásio no Colégio da Imaculada Conceição, sendo que pouco depois iniciou sua atividade de escritora colaborando no jornal de maior circulação naquele tempo, "O Ceará", no qual a fineza e estilo da jovem intelectual começaram a produzir os primeiros frutos. Utilizando um pseudônimo para assinar seus textos, Rita de Queluz, a jovem passou a produzir crônicas e poemas que seguiam a linha e o movimento daquela época, que era o concretista. Afinal, em 1922 havia sido realizada em São Paulo a Semana de Arte Moderna.

Com apenas dezenove anos esta grande garota lançou o seu primeiro romance, intitulado: "O Quinze", publicado em 1927. Um verdadeiro retrato realista do sofrimento e da luta do povo nordestino contra a seca, a miséria e os problemas políticos da época, que marcou para sempre a história do nordeste, desde a Revolução Comunista que já se agitava sob o comando de Luís Carlos Prestes, até a ameaça do Cangaço.

Seguindo esse espírito intensamente político que marcou o final da década de 20, a então estreante na literatura brasileira começa a participar do Partido Comunista Brasileiro, o tradicional Partidão, militando durante a década de trinta a favor da causa operária. Entretanto, percebendo que discordava de uma série de princípios daquela organização, ela decide se unir a outros comunistas, membros de grupos que atuavam na linha trotskista. Jorge Amado também militou em partidos comunistas nessa época.



Ainda na década de 30, Rachel de Queiroz lança três de seus mais importantes livros: "As Três Marias", "João Miguel" e "Caminhos de Pedras". O primeiro romance dessa relação recebeu o famoso Prêmio Felipe d'Oliveira. Nesse tempo ela já havia se tornado uma escritora reconhecida em todo o país. Entretanto, no final da mesma década de 30 ela foi presa por integrar e militar no partido comunista, o qual, durante a Era Vargas, na década de 40, iria cair na ilegalidade.

Em 1950 Rachel publica "O Galo de Ouro". A partir da década de 60 ela abandona as suas convicções comunistas. Traduziu obras do grande romancista russo Dostoievski, que certamente lhe influenciou nas ideias conservadoras e cristãs. Em 1964 ela decide apoiar o Regime Militar.

Logo em seguida ela passou a integrar Conselho Federal de Cultura e o partido político de base do regime, o ARENA, cujo diretório nacional ela liderou.

Na década de 70, Rachel publicou mais um romance: "Dôra, Doralina" em 1975, mantendo uma carreira de escritora que trabalhou em diversas áreas da mídia, escrevendo até para novelas. Um de seus trabalhos mais conhecidos na atualidade, adaptado para uma série na Rede Globo, em 1994, foi "Memorial de Maria Moura", de 1992, que narra a história de uma cangaceira nordestina. Entre os seus últimos trabalhos ela publicou, já com idade avançada, um volume de memórias, em 1998. Em 2003, já com 93 anos, Rachel de Queiroz nos deixou, enfraquecida por problemas cardíacos. Porém, essa grande escritora faz parte do patrimônio nacional da arte e da literatura, sendo também personagem importante na história política do Brasil.

Paulo Henrique dos Santos



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